António Manuel Andrade | Universidade Católica Portuguesa | Colaborador do blogue

Tecnologias Sociais

O equilíbrio entre a produção e o consumo da informação é um dos factores que podem caracterizar o tradicional conceito de aldeia e o actual de aldeia global sobre o qual se tem escrito e falado, nem sempre nesta óptica, mas numa outra, menos fiável e baseado no acesso global generalizado às notícias e à informação. A Internet, melhor do que qualquer outra tecnologia (Telefone, TV, Fotocopiadora, …), veio permitir a globalização no acesso às fontes do saber e a partilha, ou a simples publicação de informação. Numa primeira fase a produção de informação estava apenas reservada a quem tivesse conhecimentos técnicos, com alguma sofisticação, e acesso a servidores para alojamento de conteúdos. Numa segunda fase, com o aparecimento do conceito de Web 2.0, a difusão de informação ficou acessível a qualquer cidadão com acesso à Internet.

Meios como os Blogues, RSS, Wikis, plataformas de redes sociais e software open source perspectivam uma mudança de paradigma na comunicação e nos seus impactos sobre os sujeitos e as Instituições. Clarifica-se progressivamente a influência e o enquadramento global dos impactos das tecnologias da informação e da comunicação no plano do sujeito e da sociedade (Miller, Michalski, & Stevens, 2000).

As Unidades Económicas (com ou sem fins lucrativos) numa primeira fase apenas vocacionadas a usarem as tecnologias da informação condicionada por uma arquitectura interna dirigida ao controlo da sua actividade e ao apoio à tomada de decisão, rapidamente adoptam uma estratégia de ligação dos seus sistemas de informação aos parceiros, à administração pública, aos clientes e ao meio em geral.

Neste contexto, os blogues fazem parte de uma estratégia de comunicação, eventualmente participada, que é fundamental. A política de utilização destes meios pode estar vocacionada para o interior da empresa, numa perspectiva que fomente a gestão do conhecimento, ou para o exterior da mesma ao serviço de estratégias comunicacionais mais complexas.

Hoje estamos em presença de consumidores (de serviços, ou produtos) mais diversificados e exigentes. Nas palavras e nos conceitos defendidos por Don Tapscott e de Anthony D. Williams (Tapscott & Williams, 2007) as unidades económicas actuam perante os prosumidores (são consumidores e simultaneamente produtores – veja-se, por exemplo, os Robots da Lego). É imperioso seguir os interesses dos consumidores pelos múltiplos canais que hoje reduzem o tempo e flexibilizam o espaço.

Tipologia dos blogues

Os Blogues, em que Blog resulta de weblog, isto é um estilo de diário na Web em que o blogger selecciona apontadores para outras páginas que considera, para o efeito, relevantes. O conteúdo fortemente apoiado em texto, pode incluir imagem fixa e em movimento, assim como som. Apresenta os conteúdos por ordem cronológica inversa (Mridula Dwivedi & Venkatesh, 2007).

Podemos identificar os seguintes cinco tipos de blogues nascido no seio Institucional (Lee, Hwang, & Lee, 2006):

  • Colaborador. Animado por um colaborador da instituição e alojado em sites comerciais, ou patrocinados pela própria empresa nos seus servidores como no caso da SUN Microsystems).
  • Grupo. Blogue colaborativo, normalmente focado num tema técnico da especialidade do grupo que o cria e desenvolve.
  • Executivo. Pensado para comunicar com todas as partes interessadas na Instituição (Stakeholders), como no caso de um clube com os seus sócios, adeptos e demais seguidores.
  • Promocional. Essencialmente destinado a promover produtos e eventos da instituição.
  • Newsletter Blog. Trata-se de uma newsletter em formato blogue que veicula as posições oficiais da Instituição como, por exemplo, a Google Blogue, ou a Red Hat Magazine.

Blogue e Comunicação Participada

A adopção de tecnologias deve seguir um modelo que envolva múltiplas áreas do saber das quais são indispensáveis os Sistemas de Informação e o Comportamento Organizacional no sentido de lhes conferir enquadramento sistémico e de desenvolver sentimentos de segurança na rede de utilizadores, destinatários e motores da inovação como nos dão conta, entre outros, Z. Hussain, A. Taylor and D. Flynn, citados por Lippert e Davis (Lippert & Davis, 2006).

As unidades económicas adoptam, tipicamente, uma de duas estratégias de adopção dos blogues:

  • Estratégia Top Down – Com alto controlo, forte liderança e com base numa estratégia de divulgação e de promoção.
  • Estratégia Bottom Up – Favorecendo a participação, adequada ao desenvolvimento de produto e aos serviços de apoio ao cliente.

Impactos Inevitáveis

A facilidade de publicação de conteúdos potenciada pela Web social (2.0), tecnologia de que os blogues fazem parte, permite que colaboradores das Instituições, ou o público em geral, eventualmente prejudiquem a notoriedade da marca. Por este facto desenvolvem-se aplicações informáticas que seguem a rede (blogues, chats, fóruns) à procura de informação que revele a percepção percebida pelos consumidores relativa à qualidade global (pesquise, por exemplo, a plataforma Artemis Buzz).

A adopção deste meio de comunicação interactivo obriga a uma estratégia que contemple uma visão sistémica (por isso integrada) dos sistemas de informação e da sua arquitectura lógica e física. Ainda clara percepção do funcionamento da comunicação mediada por computador e capacidade de gestão do conhecimento explícito.

A exploração deste meio no âmbito das Bibliotecas é notório facilitando a colaboração, a inovação dos serviços e a divulgação de actividades, promovendo o fácil feedback e a participação daqueles que podem gerar conhecimento útil.

Referências

Lee, S., Hwang, T., & Lee, H.-H. (2006). Corporate blogging strategies of the Fortune 500 companies. Management Decision, 44(3), 316-334.

Lippert, S. K., & Davis, M. ( 2006). A conceptual model integrating trust into planned change activities to enhance technology adoption behavior

Journal of Information Science 2006(32), 434-448.

Miller, R., Michalski, W., & Stevens, B. (2000). Promessas e Riscos das Tecnologias do Século XXI in As Tecnologias do Século XXI – Ameaças e Desafios de um Futuro Dinâmico. Lisboa: OECD – GEPE.

Mridula Dwivedi, T. P. S., & Venkatesh, U. (2007). Social software practices on the internet

Implications for the hotel industry. International Journal of Contemporary Hospitality Management Decision, 19(No. 5), 415-426.

Tapscott, D., & Williams, A. D. (2007). Wikinomics: QUIDNOVI.

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