Susana Martins | Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão (ESEIG) do Instituto Politécnico do Porto | Colaboradora do blogue

Começo este breve texto com a indicação do significado de várias palavras que moveram a actual Delegação Regional da BAD Norte a estenderem as mãos aos seus associados usando um meio muito em voga nos dias de hoje.

Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa On-line:

Associação – “acto de associar-se; reunião de pessoas e de esforços para um fim comum; pessoa colectiva sem fins lucrativos; sociedade; comunidade; agrupamento de animais ou plantas diferentes, mas adaptadas ao mesmo meio; união; conexão; liga”.

Não tenho dúvidas que para a BAD Norte, a expressão associação pretende significar “reunião de pessoas e de esforços para um fim comum.”

Comunicação – “acto, efeito ou meio de comunicar; participação; aviso; informação; convivência; trato; lugar de passagem de um ponto para outro; comunhão (de bens); atribuição mútua das propriedades da natureza divina à natureza humana de Cristo.”

Já comunicação encerra várias intenções que embora distintas, são muito próximas e complementares. Encararia a comunicação neste contexto como o acto, efeito ou meio de comunicar; participação; aviso; informação; convivência; trato.

Blogue – segundo o Matisse Glossary of Internet Terms “a blog is basically a journal that is available on the web. The activity of updating a blog is “blogging” and someone who keeps a blog is a “blogger.” Blogs are typically updated daily using software that allows people with little or no technical background to update and maintain the blog. Postings on a blog are almost always arranged in chronological order with the most recent additions featured most prominently. It is common for blogs to be available as RSS feeds.”.

Este foi o meio de comunicação que a BAD Norte escolheu para alcançar os seus associados.

Mas… o que é comunicação? Para Fiske “A comunicação é uma daquelas actividades humanas que todos reconhecem, mas que poucos sabem definir satisfatoriamente. Comunicação é falarmos uns com os outros, é a televisão, é divulgar informação, é o nosso penteado, é a crítica literária”.

É certo que toda a comunicação envolve signos e códigos, sendo que os primeiros são construções significantes enquanto que os últimos são os sistemas nos quais os signos se organizam, determinando a forma como se relacionam uns com os outros.

Fiske (1998 ) identifica ainda duas escolas principais no estudo da comunicação. A primeira encara a comunicação como transmissão de mensagens logo, estuda a maneira como os intervenientes no processo comunicacional se relacionam, como codificam e descodificam as mensagens, e como são usados os canais de comunicação. Prende-se com a exactidão e eficácia da comunicação e estuda o modo como a comunicação influencia o comportamento dos intervenientes. Para o autor esta é uma escola processual, pois centra o seu estudo no processo da comunicação.

A segunda escola vê a “comunicação como uma produção e troca de significados”, estudando o modo como as mensagens e os textos interagem com as pessoas, i.e., o papel da mensagem na nossa cultura. Encara os “mal-entendidos” não como um fracasso da comunicação, mas antes a consequência da existência de diferenças culturais entre os intervenientes no processo comunicacional. Usa como principal método de estudo a semiótica (a ciência dos signos e dos significados).

Se a escola processual tende a aproximar-se da psicologia e da sociologia, debruçando-se no acto comunicacional em si, a segunda escola inclina-se para a linguística, centrando-se nos trabalhos da comunicação.

Para Russell (2001) a “comunicação é essencial à natureza e prática de actividades de Ciência. O facto de o número de publicações (de várias índoles) se utilize como indicador do crescimento científico, estabelece a produção de publicações do processo de investigação como medida válida para a sua actividade. Os cientistas não só comunicam os resultados aos seus colegas através dos artigos publicados, de preprints (impressões preliminares) electrónicos mas também se apoiam no conhecimento de trabalhos publicados anteriormente de modo a formularem propostas e metodologias de investigação. O intercâmbio de opiniões e de dados com os colegas é parte essencial da fase experimental. Portanto, a comunicação está presente em todas as etapas do processo de investigação”.

A comunicação é condição essencial para o ser humano e, como vimos anteriormente, ela é parte integrante não apenas de processos puramente sociais, mas tem um igual enquadramento nas actividades de índole científico-técnica.

Todos sabemos que uma associação, independentemente da sua índole, deve comunicar com os seus associados, atingir a sua massa crítica e também ouvi-la. Sabemos também que a comunicação, por sofrer perturbações de diversa natureza, nem sempre é fácil e nem sempre é feita com sucesso.

O facto de os associados geograficamente abrangidos pela BAD Norte estarem fisicamente dispersos por toda a região norte, como acontece com as demais Delegações Regionais, aumenta a dificuldade de comunicação. No entanto, todos estes profissionais têm um ponto em comum: a sua profissão que, pressupõe o uso intensivo de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). As TIC surgem como o elo de ligação entre os Profissionais da Informação das mais variadas instituições e, entre a BAD Norte e os seus associados.

A disponibilização dos conteúdos/informação é uma faceta muito importante desta estratégia de comunicação. Ao longo do tempo, o percurso seguido pela Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (BAD) tem abordado diversas técnicas, desde o envio de informações por correio postal, passando pela criação da página web da BAD e pela disseminação electrónica de informação.

Com a criação deste blogue, a BAD Norte pretendeu que as técnicas de disponibilização de conteúdos já usadas pudessem ser complementadas com outros métodos de interacção assíncrona, neste caso o weblog ou blogue. Mas os blogues têm uma particularidade, o facto de serem ferramentas pertencentes à geração Web 2.0. A web 2.0 pressupõe uma alteração ao modo como nos relacionamos com as tecnologias da informação baseadas na web. Este boom de utilização/popularidade da web 2.0 assenta sobretudo em quatro pilares (Silva et al. 2007): acesso generalizado à Internet; público digital born; muitos sistemas de gestão organizacional são web based; crescente facilidade na utilização de ferramentas web.

No caso específico do blogue BAD Norte, pretende-se espevitar os efeitos de rede complementados pela participação do público-alvo, subjacentes ao associativismo, assim como a inteligência colectiva, que se espera seja o resultado da contribuição e partilhas dos associados.

Deste modo é legítimo pensar-se que o uso de ferramentas web 2.0 em processos comunicacionais poderá, a curto prazo:

· aumentar a facilidade de comunicação e diálogo entre os associados e a associação, aproximando-os,

· despertar pelos associados o entusiasmo pela participação e escrita em assuntos que lhes são próximos,

· fomentar o trabalho colaborativo e as parcerias,

· incrementar a intervenção activa e participada dos associados nas actividades desenvolvidas pela associação,

· estreitar os laços.

Espera-se por isso que este novo meio de comunicação atinja os seus objectivos e que a comunidade de profissionais da informação, não só no Norte do país, não só em Portugal mas em todo o Mundo (invoco aqui o facto de, actualmente nos encontrarmos numa posição glocal – local + global) possa beneficiar das experiências da comunidade.

Referências:

FISKE, John – Introdução ao estudo da Comunicação. Porto : Asa, 1998.

RUSSELL, B. – História do pensamento ocidental. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.

SILVA, Cândida; OLIVEIRA, Lino; CARVALHO, Milena; MARTINS, Susana – 3C@CTDI – Colaboração, Contribuição e Comunidade em CTDI. In Web 2.0 na Ciência da Informação, Encontro de CTDI, 3, Vila do Conde, 2007.

Advertisements