Olívia Pestana | Hospital Pedro Hispano | Colaboradora do blogue

Dizemos, frequentemente, que sabemos o que se pode encontrar nos blogues: notícias da actualidade, recomendações técnicas, agendas de eventos, artigos, fotografias, filmes, desabafos, suspiros, paixões, emoções, ilusões, desilusões… Mas, na realidade, quantos sabemos o que são os blogues e de que modo é que os utilizamos?

O OberCom, Observatório da Comunicação, no recentíssimo Flash Report de Março de 2008, publicou os resultados do estudo Bloguers e Blogosfera.pt. Este estudo foi realizado com base em resultados do questionário “A sociedade em rede em Portugal 2006”, o qual se inseriu num estudo com o mesmo nome e contou com a coordenação do professor e investigador Gustavo Cardoso (CIES-ISCTE). Para este trabalho foi utilizada uma amostra representativa da população portuguesa, de 2000 indivíduos, com 8 ou mais anos de idade e residentes em Portugal continental, e o trabalho de campo foi realizado durante o 2º trimestre de 2006.

O estudo do OberCom concluiu que apenas um quinto da população portuguesa sabe o que é um blogue e que, dos internautas, apenas metade revelou conhecer a blogosfera. Destes não chega a um quarto o nº de internautas que afirma navegar habitualmente na blogosfera e apenas um sétimo indicou que construiu e mantém um blogue.

Na apresentação dos resultados relativamente aos conhecedores de blogues, o estudo citado diferencia os que se limitam a navegar na blogosfera (consumidores) dos que também produzem blogues (produtores). Embora ambos apontem a procura de informação sobre determinado assunto como o principal motivo que os leva a consultar os blogues, os consumidores também procuram saber mais sobre um assunto da actualidade noticiosa. Os produtores também mencionam este motivo, mas em percentagem muito mais reduzida do que a do principal motivo.

O tema que mais se destaca dentro dos blogues consultados ou produzidos é o do ‘entretenimento’. O segundo tema mais procurado é o da ‘vida pessoal de um círculo de pessoas restrito’, sendo, no entanto, de salientar que esta segunda escolha se encontra percentualmente muito abaixo da primeira.

É interessante verificar que o tema ‘cultura e comunicação’ é produzido apenas por autores com mais de 25 anos de idade e que o tema ‘saúde’ é produzido exclusivamente por mulheres universitárias com idades até 25 anos. Os ‘temas polémicos da actualidade noticiosa’, a ‘política’ e os ‘assuntos profissionais’ são criados exclusivamente por homens. Outro aspecto curioso é o de que os bloguers produtores são muito mais jovens do que os bloguers consumidores, havendo, também, uma acentuada diferença entre os sexos: os do sexo masculino encontram-se em franca maioria. Os bloguers produtores encontram-se, então, entre os 8 e os 17 anos de idade, sendo uma parte muito significativa de estudantes do ensino secundário. Os consumidores, por seu lado, não apresentam uma diferença tão acentuada no género e são ligeiramente mais velhos do que os produtores: o grupo mais elevado encontra-se entre os 18 e os 24 anos de idade. Relativamente à escolaridade, os consumidores são, igualmente, detentores de formação ao nível do ensino secundário, mas já se encontram activos, ou seja, já estão empregados.

Quanto à produção de blogues, a esmagadora maioria dos produtores mantém um único blogue, sendo actualizados maioritariamente uma vez por semana. Curiosamente, os produtores afirmam-se mais frequentes na consulta de outros blogues do que na actualização dos seus próprios.

Consensual parece ser a ideia de que os blogues constituem uma fonte complementar de informação com a vantagem de não se regerem pela agenda dos mass media. No entanto, é elevada a percentagem de produtores e consumidores que costumam cruzar as informações recolhidas com outras fontes de informação como a televisão e a Internet em geral.

Procurámos, neste pequeno texto, dar uma ideia dos resultados apresentados pelo OberCom relativamente ao seu estudo. No entanto, sugerimos uma leitura integral do relatório mencionado para um conhecimento mais aprofundado da realidade portuguesa relativamente à blogosfera.

Antes de finalizar, importa, ainda, referir que o trabalho do OberCom teve como investigadora Rita Cheta e como coordenadores científicos Gustavo Cardoso e Rita Espanha.