Paulo Sousa | Colaborador | SDI – Divisão de Serviços Electrónicos | Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

No final do mês de Abril apresentei duas notícias no blogue “A Informação” relacionadas com os ebooks, mais concretamente o lançamento do “Primeiro ebook com acesso remoto a experimentação on-line da FEUP, pela Universidade do Porto, e do workshop promovido pela biblioteca da FEUP – “FEUP Edições lança plataforma revolucionária para a criação de eBooks.
A divulgação destas notícias deram-me um certo encanto e, ao mesmo tempo, uma certa preocupação.
O encanto prende-se com o facto de se promover em Portugal, mais concretamente na Universidade do Porto, a inovação no desenvolvimento dos suportes de informação, mormente a agregação de novos serviços aos livros electrónicos (ebooks).

No que respeita ao ebook lançado, a associação de novos recursos e serviços acaba por potenciar-lhes quiçá, uma certa ubiquidade digital, não no sentido da reprodução (cópia), mas ao nível da exploração síncrona entre a informação do ebook versos aplicação prática laboratorial, com os respectivos benefícios ao nível da aprendizagem teórico-prática nos mais variados contextos informacionais.
Paralelamente, o lançamento da ferramenta de prototipagem rápida de ebooks vem facilitar a produção e disseminação da informação científico-técnica, sendo que a característica mais importante e inovadora neste projecto assenta no facto da estrutura e do conteúdo (informação) estarem devidamente separados da formatação.
Por sua vez, a preocupação centra-se em dois factores:
– O primeiro prende-se com o tratamento da informação deste género de suportes. Por exemplo, no tratamento de um arquivo pessoal, como é que a pessoa que adquiriu o e-book, depois de ter realizado experiências e tirado algumas anotações directamente no e-book pode tratar toda essa informação no seu sistema de informação pessoal? Será que a informação e a recriação das experiências online ficam alojadas do lado do cliente (pessoa que adquiriu o ebook), ou ficarão no servidor onde correm as aplicações laboratoriais? Como se pode estabelecer relações entre a informação do ebook, as anotações pessoais e os resultados das experiências laboratoriais dentro de um sistema de informação, quer pessoal, quer um repositório de informação científica, ou outro?
– A outra preocupação prende-se com as competências informacionais necessárias ao utilizador para usar globalmente todas as funcionalidades e serviços disponibilizados, decorrendo dessa experiência uma certa melhoria das competências de literacia digital. Será que os profissionais da informação não deverão intervir neste domínio, quer ao nível da investigação destes fenómenos de interacção infocomunicacional, quer na adopção de estratégias de melhoria das competências de literacia dos utilizadores deste produtos e serviços de informação?
Finalizando, acho que devemos estudar com muito interesse estes fenómenos infocomunicacionais de modo a adaptar a nossa actividade profissional a estas mutações do comportamento informacional dos utilizadores. Se não o fizermos, corremos o risco de prestar serviços sem a qualidade exigida pelos mesmos. Os sistemas de informação (arquivos, bibliotecas, centros de documentação, etc.) salvo algumas excepções, são sistemas vivos e dinâmicos, que requerem cada vez mais um maior esforço da nossa parte para se tornarem acessíveis e usáveis.