Susana Martins | Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão, Instituto Politécnico do Porto, Assistente | Colaboradora do blogue

Um Serviço de Informação pode ser encarado como um conjunto de informação, devidamente organizada de modo a servir e satisfazer os seus potenciais utilizadores. A prossecução deste objectivo prevê a utilização de recursos, quer humanos, quer materiais. Desta definição é possível extraírem-se 4 componentes essenciais a qualquer serviço dessa natureza:

  1. Fundo
  2. Organização
  3. Difusão da informação
  4. Utilizadores

Sem estes elementos não poderíamos falar de serviço de informação pois é a sua (co-)existência que valida o conceito. Um centro de informação, para ir de encontro às actuais necessidades e funcionar como um sistema de transmissão de informação, tem, obrigatoriamente, que disponibilizar determinados serviços.
Atendendo às tecnologias actualmente disponíveis e à democratização das mesmas, os serviços de informação tendem a manter a sua presença física mas, em simultâneo, criar uma existência virtual. Alguns, em particular os serviços de informação com um alto nível de especialização, chegam mesmo a dispensar a existência física, centrando-se no objecto virtual. Independentemente do caso, a presença on-line é, nos dias que correm, uma obrigatoriedade inegável.
Citando Castells[1] “Um novo sistema de comunicação que fala, cada vez mais, a língua universal digital tanto está a promover a integração global da produção e distribuição de palavras, sons e imagens da nossa cultura como os personalizando ao gosto da identidade e humores dos indivíduos. As redes de computadores estão crescendo exponencialmente, criando novas formas e canais de comunicação, moldando a vida e, ao mesmo tempo, sendo moldadas por ela.”
É um facto que a informação digital domina o nosso quotidiano. Os avanços tecnológicos nessa área revolucionaram o acesso à informação pelo que é hoje um grande desafio para os serviços de informação adequarem-se a esta nova realidade e às expectativas e necessidades dos utilizadores do séc. XXI. Recordemo-nos que muitos destes utilizadores são digital born e que este público também deve ser atendido e compreendido. O acesso à distância, possível através do uso de determinado equipamento, facilita o acesso e utilização de serviços, quebrando-se barreiras físicas e horários.
Ora, os recursos necessários para implementar a presença de um serviço de informação na web não são hoje incomportáveis, bastando para tal un PC com o respectivo sistema operativo e acesso, preferencialmente de Banda Larga, à Internet. Quanto ao software necessário para que a virtualização, neste caso parcial, do serviço possa ser uma realidade, este pode constar de um pacote “ofimático” ou podem ser usadas ferramentas baseadas na web, ou seja, disponíveis on-line, não sendo necessário o download das mesmas, e cuja utilização é gratuita. Estas ferramentas têm a particularidade de pertencerem à família web 2.0.
A web 2.0 mais não é do que a evolução (natural) da web 1.0, onde nem todos podiam publicar e editar conteúdos pois para tal acontecer eram necessários conhecimentos aprofundados sobre informática e programação. A web 2.0 é então uma (r)evolução da própria web 1.0 pois pressupõe que todos sejamos produtores e editores de conteúdos, sem que para tal sejam necessários esses conhecimentos aprofundados. No seguimento desta filosofia, surgem então as chamadas ferramentas web 2.0 com o objectivo de facilitar enormemente a presença de qualquer instituição, ou individuo, on-line, pressupondo uma alteração relativamente ao modo como nos relacionamos com as tecnologias da informação baseadas na web.
É então legitimo pensar-se que a utilização de ferramentas web 2.0 em processos comunicacionais, por parte de serviços de informação, poderá, a curto prazo, permitir ao serviço de informação, atingir quatro objectivos:

  • aumentar a sua consulta, através de um mais facilitado e livre de barreiras como o espaço e o tempo, incrementando o contacto com o público,
  • despertar o entusiasmo pelos serviços disponibilizados, que demonstra assim estar atento às novas tecnologias e à forma como estas podem valorizar o seu papel,
  • incrementar a intervenção activa e participada do público alvo nas iniciativas desenvolvidas,
  • estreitar os laços entre a instituição e o público.

A nosso ver, a sua utilização não deve então ser entendida como moda, mas sim como uma resposta a uma necessidade criada pela evolução tecnológica e consequente democratização do uso da tecnologia existente. Para tornar esta percepção mais clara, basta invocar o Manifesto da IFLA/UNESCO sobre Bibliotecas Públicas, onde está patente que o acesso à informação não deve, de modo algum, ser discriminatório. Ao complementar os serviços de cariz e presença tradicional com outros, de cariz mais inovador, o serviço de informação estará a cumprir na íntegra parte da designada missão da Biblioteca, entendida como um Serviço de Informação por excelência pois chegará de modo mais rápido e eficaz às novas gerações de utilizadores nados digitais.


[1] CASTELLS, Manuel – A galáxia internet: reflexões sobre Internet, negócios e sociedade. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. Serviço de Educação e Bolsas, 2004. ISBN 972-31-1065-2.

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