Este tempo de férias que, para alguns se esgota e que para outros se aproxima, pode ser também tempo para uma salutar reflexão perante o aproximar de um ano lectivo que desejamos apelidar mais convictamente do que nunca de novo em perspectivas sociais mais felizes.

É um tempo de férias que podemos dividir e somar em momentos de reflexão a par e passo com o aproveitar de cada um desses tempos rendidos ao encanto dos suaves aromas de verão, dos quais vos trago um singelo registo fotográfico.

Dou-vos eco de um desses momentos transvazando parcialmente o tema do mês para o domínio da formação: a formação contínua: necessidade ou o efeito trampolim…

Todo o profissional de qualquer ramo do conhecimento e da actividade económica, tenha ou não muitos anos de experiência, é um estudante em busca de saberes e sê-lo-á toda a vida, devendo recorrentemente questionar o seu posicionamento profissional.

A tomada de consciência das necessidades em formação é requisito sine qua non para o upgrade profissional, através da actualização de conhecimentos: o saber e da aprendizagem de novas técnicas: o saber-fazer. Gerir o processo de construção da carreira passa nomeadamente por saber gerir sabiamente estas necessidades.

Assim, à medida que é traçado o percurso profissional – frequentemente à mercê das escassas oportunidades, sobretudo para os recém-chegados ao mundo do trabalho – são delineadas as escolhas formativas que vão alicerçar e consolidar esta rota.

É natural para os potenciais interessados formular hesitações perante o investimento que representa a perspectiva da frequência de acções de formação contínua. Os prismas são os mais diversos e tocam desde logo, e na actual conjuntura, as esferas económicas e as temporais/pessoais.

A frequência de acções de formação contínua requer um investimento multi-facetado. Trata-se de um processo que deve ser sabiamente ponderado no sensato equilíbrio entre a esfera pessoal e a profissional, listando-se rapidamente sólidos argumentos que parecem representar mais entraves do que benefícios… contudo o retorno é sempre compensador gerando-se o que designamos por efeito trampolim na carreira profissional.

O efeito trampolim consubstancia-se na capacidade do profissional em encarar de forma elástica cada novo desafio profissional. À semelhança de um salto de trampolim, assim vai a carreira de alguns profissionais da informação, que, por opção ou por falta dela, somam experiência profissional em projectos de outsourcing do sector público e privado ou em empreendedores projectos profissionais. Neste percurso profissional (e formativo) não faltam ainda oportunidades para se contactar com os colegas da profissão, os quais, se abraçam a ciência da informação como uma área de paixão, como não poucos conheço, não se furtarão a encetar uma verdadeira partilha. O efeito trampolim constitui, em definitiva a capacidade de somar experiências profissionais, transformando essa riqueza, fruto da aprendizagem contínua, em competências que geram, por sua vez novas potencialidades de intervir na profissão.

Nesta dimensão, decidir não frequentar acções de formação representa um erro e frequentemente espelha ainda a total ausência de expectativas perante melhores perspectivas profissionais ou pessoais. Os profissionais posicionam-se face à formação de acordo com a sua perspectiva relativamente optimista de uma evolução profissional. Se, tendencialmente, a desmoralização face a novas perspectivas de trabalho está enraizada, dificilmente o investimento na formação será considerado estratégico na gestão da carreira.

No entanto, vale a pena o profissional da informação experimentar o efeito dinamizador ou o efeito trampolim na sua carreira. A formação aparece como uma aposta estratégica no desenvolvimento da carreira quando é possível antecipar os pontos fortes e as oportunidades, os pontos fracos e as ameaças decorrentes desta escolha.

Se por um lado, o saber e o saber-fazer são confrontados com os apports da formação e submetidos à luz dos conhecimentos mais recentes no domínio formativo em questão, a junção de pessoas partilhando naquele momento formativo interesses e dúvidas, anseios e perspectivas face a determinada área do conhecimento técnico representa por outro lado a oportunidade de uma partilha de experiência, gerando, para além da própria acção de formação possíveis redes de cooperação interinstitucionais. Por fim, a frequência em acções de formação em regime presencial ou e-learning, dentro ou fora do país constitui ainda um forte indutor da valorização do profissional, podendo ser-lhe reconhecidas responsabilidades maiores face à certificação de competências pela via formativa.

No entanto, não basta procurar incidir a gestão da carreira apenas na formação – lugar por excelência de aprendizagem, de expressão e interacção, de desenvolvimento e de identificação de desafios -… esta gestão passa também pela presença/intervenção em eventos (congressos, conferências, encontros, debates, workshops…); pela leitura; pela presença em fóruns e em blogs e sobretudo pela participação e/ou pela interpelação das associações; … em suma, em todas as formas de participação onde as múltiplas dimensões da nossa carreira enquanto profissionais da informação são desafiadas a intervir.

A todos os profissionais da informação a BAD Norte deseja bons saltos profissionais e umas Boas Férias.

Jacinta Maciel
badnorte@gmail.com