Teresa Lima | Arquivo Municipal de Gondomar | colaboradora do blogue

Há um par de anos recorri a uma biblioteca pública galega para recolha de notícias de periódicos locais. O milagre da tecnologia deu-me várias pastas de cd’s, com toda a informação necessária digitalizada. O paraíso! Nos últimos meses, preparei o fôlego para nova ronda de consultas, desta feita de periódicos portugueses. Complicado. Digitalização é palavra que voa, mas não pousa. Ou pára pouco. Aqui e além. E se pousa paga-se caro. Vejamos as alternativas. Microfilmagem, está certo. Tantos dias para obter o microfilme, outros tantos para pegar nas películas e levar a uma loja perto de si, ou longe, ou onde quer que passem aquelas miniaturazinhas de informação preciosa para um papel, letra legível, por fim. O balanço, apesar de tudo, nem foi tão negativo. Descobri uns anjos que permitem o uso de máquinas digitais. Tirei fotografias a tudo o que me interessava e arrumei o assunto com alívio.

Sim, o problema do dinheiro. Digitalizar sai caro, conservar custa balúrdios, os depósitos estão escondidos dos olhos mediáticos, o que rende neste país é o futebol, cultura nem por isso, todos nos vamos arranjando como podemos e só Deus sabe. Correcto. Por curiosidade, fui ver o arquivo do El Mundo na Internet, com edições (desde 1994) arrumadas por dias e disponíveis sem ondas. El País: jornais acessíveis desde 1978, busca por tema ou por data. Nada a acrescentar… Nem foi preciso o serviço público garantir o que é suposto que garanta.

Trata-se de um exemplo muito básico. Já nem falo de repositórios de informação em rede, mais ou menos especializados, espaços de informação suficientemente versáteis para acolher diferentes formatos, amassar tudo num bolo coerente, que resulte em melhor serviço ao utilizador, uma Babel digital. Aqui, os profissionais da informação deitam a mão à cabeça, desunham-se para obter o rigor máximo na simplificação desejada, entram em conversas de extra-terrestre: controlo da linguagem, meta- informação, interoperabilidade. Ufa! Desafios enormes e tantas dúvidas por esclarecer. Quanto mais se avança, mais há para fazer Que seja, venha tudo isso e mais alguma coisa, se preciso.

Advertisements