Susana Martins | Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão | Instituto Politécnico do Porto | Colaboradora do blogue

Os Arquivos/bibliotecas nem sempre se pautaram pelo acesso fácil à cultura e à informação. Começaram por ser frequentados apenas por uma elite, que a eles se socorria sempre que necessitava. As mudanças sociais, impulsionadas pela alteração dos sistemas económico e financeiro, vieram alterar essa situação. Em inícios do séc. XIX surgem os gabinetes de leitura pública, facultando o acesso mais democratizado à informação.
Todos sabemos que ao longo do séc. XX a evolução das tecnologias da informação e comunicação possibilitou que se assistisse a um boom informacional, não só no próprio acesso à informação mas também pelo facto de que o papel de autor deixa de estar tão distante como estava outrora. Estávamos perante um cenário de democratização e facilitação do acesso à informação e o aumento de documentos e informação disponível. Com o advento da Internet, todos, potencialmente, passamos de leitores/consumidores a autores/leitores/consumidores.
Mas um aspecto importante que deve ser realçado é o facto de a Internet facilitar o acesso à informação, mas não apenas à informação textual. O mundo visual, gráfico, multimédia e electrónico está, agora, “à distância de um click”.
Podemos fazer visitas virtuais a museus – veja-se a título de exemplo o Museu Virtual da Imprensa , o Museu Virtual Aristides de Sousa Mendes, o Museu Virtual do Calçado, entre muitos outros.
Se até há pouco tempo a Internet disponibilizava inúmeros documentos textuais, deixando de parte muito do que é considerado material não livro, actualmente assistimos a uma perfeita integração de todos os suportes documentais na rede.
Mas esta impossibilidade quase infinita de acesso informacional, requer um saber, por vezes negligenciado, e que se traduz nas competências de recuperação da informação. De modo a que não nos percamos no oceano informacional, é essencial desenvolvermos competências que nos permitam recuperar o que queremos. Esta busca de informação far-se-á, independentemente de sabermos exactamente o que procuramos, ou de nos socorrermos da “famosa técnica” de serendipity que, embora se baseie no acaso, pressupõe sempre que nos coloquemos no caminho correcto.
O advento da Internet é, sem dúvida, um grande avanço no que diz respeito ao acesso à cultura e à informação mas, requer custos – custos ao nível de material e recursos humanos. Mas, parece caminhar-se, ainda que, a passos lentos, para uma consciencialização das instâncias superiores, para a necessidade de actualização de serviços. Existem inúmeras ferramentas open source que possibilitam que arquivos, bibliotecas, museus e mesmo particulares disponibilizem inúmera informação sem que para tal tenham que suportar custos excessivos.
Mas não basta disponibilizar informação e recursos. Cabe aos arquivos, bibliotecas e Museus, educar/formar os seus utilizadores e publico alvo, fornecendo-lhes competências informacionais, no sentido de os apetrechar com o conhecimento inerente à recuperação da informação, prestando assim, serviço público e indo de encontro ao preconizado no Manifesto IFLA/Unesco.

Anúncios