No dia 13 de Novembro celebrou-se o Dia Mundial da Usabilidade. O tema deste ano foi dedicado aos Transportes. Podem consultar todos os eventos mundiais dedicados à USABILIDADE no website da Usability Professionals’ Association (UPA).
Em Portugal decorreram dois eventos:

* Forum Acessibilidade nos Transportes (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro | Vila Real);
* World Usability Day 2008 Celebration (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto | Porto).

Paralelamente, a Associação Portuguesa de Profissionais de Usabilidade também lançou uma iniciativa interessante. Trata-se do website “Usabilidade nos Transportes” que pretende “recolher testemunhos positivos ou negativos sobre a nossa utilização dos transportes e fazer chegá-los junto das empresas de transportes e autoridades metropolitanas.”
Eu tive a oportunidade de assistir ao evento realizado na FEUP, o qual foi organizado pelo Núcleo de Informática da Associação de Estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (NIAEFEUP), em colaboração com a theusabilitypage.com. O evento teve uma assistência considerável mas, para com alguma pena minha, acabei por não ver nenhum profissional da informação por lá.
A primeira apresentação foi efectuada pela colega Susana Vilaça, da SonaeCom, que apresentou o conceito de usabilidade e dos princípios que lhe estão associados.
A apresentação seguinte incidiu, precisamente, sobre a usabilidade nos transportes, sendo apresentada pela docente da FEUP Teresa Galvão. Inicialmente, foram abordadas algumas questões sobre o contexto de uso, nomeadamente os elementos que caracterizam o hiato temporal em que ocorre a interacção do ser humano com o produto ou o serviço. Em seguida, abordou a importância da usabilidade no dia-a-dia. Por fim, apresentou alguns projectos que visam a melhoria da usabilidade dos transportes, levados a cabo por entidades como a STCP e a Metro do Porto; e de iniciativas como a BUTE – Bicicletas de utilização estudantil.

Após o intervalo foi efectuada a apresentação do projecto The Usability Page, no qual se pretende disponibilizar alguns serviços de usabilidade, de partilha de experiências e de informação em torno da usabilidade. Em breve, qualquer pessoa pode registar um website para ser avaliado. Posteriormente, uma equipa do projecto disponibiliza-se para efectuar uma avaliação heurística com o intuito de detectar os principais problemas de usabilidade, de forma gratuita.

Por último, decorreu a intervenção do Miguel Carvalhais, docente de design da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, que abordou uma perspectiva muito interessante do “Design da Usabilidade”. Este reflectiu de um modo muito vincado a sua base de formação em design para abordar o conceito da usabilidade, em que todo o processo de design deve assentar necessariamente na componente usável do produto, ou seja, o campo do design está intimamente ligado à usabilidade das coisas.
Através desta apresentação, foi-me possível constatar de uma forma mais clara a grande utilidade da integração de equipas multidisciplinares (Psicólogos Cognitivos, Engenheiros de Usabilidade, Arquitectos de Informação, Antropólogos, Designers de Interacção, etc.) no processo de desenvolvimento de produtos e serviços interactivos, pois todos têm algo a acrescentar no estudo aprofundado do utilizador final. Como “alguém” disse: A perspectiva holística do todo é mais perspicaz do que a soma das partes!

É certo que o assunto “usabilidade” pode não ser muito tangível nos nossos pensamentos, mas que este tem um grande impacto na qualidade de vida das pessoas e da própria economia, isso tem!
Nós, profissionais da informação, também podemos dar um grande contributo às organizações onde trabalhamos, neste domínio. Podemos apresentar boas práticas, análises de comportamento dos utilizadores, levantamento de padrões de usabilidade (entre muitas outras iniciativas) e, com isso, melhorar e elevar a qualidade dos nossos serviços e recursos electrónicos (catálogos, websites, etc.).
Por vezes, os responsáveis pelos Serviços estão preocupados com indicadores mais quantitativos e não dão o devido valor à usabilidade e à acessibilidade, mas cabe-nos a nós alertar para a importância da melhoria da “interface de acesso” dos nossos produtos e serviços de informação, quer físicos, quer digitais.

Paulo Sousa | SDI – Divisão de Serviços Electrónicos | Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto | colaborador do blogue

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