Como uma química se tornou bibliotecária?

Estava de chegada ao Porto e sonhava exercer actividade profissional na área da Química Orgânica. Licenciara-me em Química, na Universidade de Lisboa, e o meu mundo era o das equações, dos tubos de ensaio, das provetas e dos Erlenmeyers. As minhas aspirações profissionais situavam-se entre o trabalho e a investigação no laboratório.
Estávamos no Inverno, fazia frio, e eu percorria em passo rápido os longos corredores do edifício secular da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, quando escutei um chamamento vindo de um gabinete:

– Luiza, entre! – convidou-me um professor. – Sei que chegou há pouco tempo de Lisboa e ainda não está a trabalhar. Temos aqui um novo projecto! Precisamos de informatizar a biblioteca do Departamento de Química. Será que está disponível? Está aqui uma edição das ?Regras Portuguesas de Catalogação?, ora veja! Fiquei embaraçada. Tinha estudado tanto, noites a fio a tentar entender cálculos, fórmulas, teoremas e teorias de eminentes prémios Nobel e agora não sabia o que eram as ?Regras Portuguesas de Catalogação?. Folheei o livro, estava curiosa. Ainda me senti mais confusa.

– Então, que me diz? Tenho um financiamento para automatizar o catálogo da biblioteca com o programa Mini-Micro CDS/ISIS, é uma parceria com a Biblioteca Nacional ? afirmou o professor com entusiasmo.

No meu íntimo continuava confusa. Mas era um bom desafio. Afinal o que eu tinha aprendido no meu curso superior, era a estudar! Pois então, continuaria a estudar e a descobrir ?o apaixonante mundo das Bibliotecas e das Ciências da Informação.

Luiza Baptista Melo

Bolseira da FCT |Universidade de Évora
Técnica Superior |Faculdade de Ciências |Universidade do Porto

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