Desde sempre que tudo me é leitura. As pautas musicais que leio para tocar piano, as imagens que copio de algum blogue artístico, os filmes que visualizo na web, os fabulosos links que nos levam a mundos maravilhosos e os livros de poesia,  que dizem que são os mais acérrimos inimigos dos bibliotecários!
Mas não é a leitura a razão  porque sou profissional da informação!

É uma decisão social de transformação e construção da realidade, uma tentativa de melhorar o mundo para outros puderem colher a informação e se servirem dela para se metamorfosearem, e assim sucessivamente, em reciclagens contínuas e em movimentos circulares, toda a sociedade lucrar com o benefício de cada um, no crescimento da sua humanidade e conhecimento.

Parece uma teoria marxista! Continua a ser uma teoria política e social para me justificar profissionalmente e humanamente. Gosto muito de ler um escritor francês que diz que a grande parte da sua biblioteca está no céu. Uma biblioteca de nuvens. Ora aí está mais uma razão que me fascina.

A razão porque sou profissional da informação também não é espiritual, como poderiam estar a pensar depois da citação anterior. O meu maior problema é que tudo nesta profissão me fascina e assim vou procurando razões para me justificar como pessoa.

Manter vivas as bibliotecas, já conhecem este lema do Viva Biblioteca Viva!
Gosto de o fazer todos os dias, manter vivos todos os que as procuram. Ora aí está outra justificação, de teor biológico!

A justificação não é racional nem lógica. Ainda hoje a justificação que encontro é um lugar de procura.

Vou continuamente procurando saber porque sou.

Luísa Alvim,
que trabalhou e trabalha em bibliotecas maravilhosas e vivas, e que tenta manter sempre um lugar com luz para alguém que chega e precisa de informação
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